Conheci o vídeo de Ponta de Lança (Verso Livre) em Belo Horizonte, minha cidade natal, um dia antes de me mudar pra São Paulo. O vídeo, a batida, a letra, a elegância da interpretação do rapper e poeta paulistano Rincon Sapiência deram um nó no meu cérebro. Desde então, essa música tem me acompanhado pelas andanças por aqui. Como disse um comentário do Youtube, me sinto envergonhada por não ter conhecido esse som antes.

Ponta de Lança foi lançado nos últimos minutos de 2016, em 26 de dezembro. Quem viu este vídeo não teve dúvidas de que 2017 seria o ano de Manicongo. A publicação acumula, em onze meses no ar, 1,2 milhão de views no Facebook e 8 milhões no Youtube!

Lançado em 25 de maio desse ano, Galanga Livre é o disco de estreia do artista. Espetacular do início ao fim, o disco tem um projeto gráfico à sua altura. Tanto capa quanto encarte falam por si. 

O responsável por fotografar toda a elegância de Danilo Ambrósio foi Renato Stockler. São deles as fotos do encarte e também a que abre este post. O projeto gráfico foi assinado por Lucas Bacic e Lucas Falcão, sócios do escritório pernambucano Savia. Encontrei no site do estúdio algumas imagens do encarte e de estudos para a identidade do disco, acompanhadas de algumas explicações.

“Rincon Sapiência – também conhecido como Manicongo –, é rapper e poeta paulista. Tivemos o desafio de pensar, conversar e construir juntos o projeto gráfico para o aguardado álbum “Galanga Livre”. Com influências da música africana, eletrônica e jamaicana, as composições abordam a consciência e a valorização da afrodescendência no Brasil contemporâneo”. 

“O nome “Galanga Livre” é inspirado em um conto que aborda a história de um escravo que para conquistar sua liberdade, comete um “Crime Bárbaro” (nome de uma das faixas do álbum)”.

“Para equilibrar as diversas sonoridades e dar força aos símbolos exaltados, a capa se inspira em uma estética setentista de discos jamaicanos e brasileiros, com uma tipografia de peso e uma paleta viva e rica”.

“Contrastando à limpeza da capa, desenvolvemos uma série de padrões circulares que colidem elementos do grafite e demais intervenções urbanas, com padrões caligráficos inspirados por escritas africanas”.

O projeto gráfico do disco todo já é espetacular, mas o que me chama mais atenção é que não dá pra ficar imune à capa deste disco. É preciso muito trabalho para atingir a simplicidade dessa imagem. O estranhamento causado pela saia, o contraste do azul com o amarelo e o mostarda da roupa e a elegância do rapaz… Resultado: projeto vencedor no prêmio Multishow de melhor capa do ano. Não que este blog seja tão bombado, mas essa também é uma das capas do ano por aqui 🙂

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