Um a um, seguimos perdendo os ícones de uma geração sem paralelo que levou a música brasileira a um patamar inigualável – provavelmente nunca superado. Agora foi a vez de Luiz Melodia, que morreu na manhã dessa sexta (04) vítima de câncer de medula. Sempre que morre mais um desses grandes deuses da música brasileira fica aquele nó, o pesar de não ter dedicado tempo e dinheiro para os ter visto ao vivo uma última vez. Oportunidades que não voltam. 

Melodia e Gal andam morando na minha cabeça há uns meses por diversas razões. Depois de tempos sem ouvir muita coisa deles, o disco Pérola Negra voltou ao meu cotidiano. Por Gal. Pela óbvia razão de algumas faixas serem fortes candidatas ao título de música mais bonita do mundo. E também por se tratar de uma das capas mais interessantes que a música brasileira já fez. 

Pérola Negra (1973), capa de Rubens Maia.

Como existe um pastor com o mesmo nome, tá complicado achar informações sobre Rubens Maia, o fotógrafo que assina a capa de Pérola Negra. Nos 40 anos do lançamento do disco, completados em 2013, reportagem da Folha assinala brevemente a contribuição do artista para a capa do disco. O repórter Marco Aurélio Canônico defende que capa é quase tão famosa quanto as canções. “Ela traz duas imagens na base, cobrindo toda a área disponível, um monte de feijões pretos; em cima deles, no centro, uma foto do cantor dentro de uma banheira vertical, segurando um globo terrestre”.

A “capa do feijão” foi tema de um episódio do Arte na Capa, programa que compõe um importante acervo de parte da música brasileira do século passado (e alguns de 2000 pra cá). Todas as temporadas estão disponíveis no Globoplay.

Leia post sobre o programa Arte na Capa.

Luiz Melodia segurando Pérola Negra, para o programa Arte na Capa. A foto da capa é de Rubens Maia. A foto da foto é divulgação da série, que tem direção de João Felipe Freitas.

Outra reportagem, do site O Som do Vinil, traz um pequeno depoimento de Melodia sobre a capa de Pérola Negra. 

“Gosto da capa, que é do Rubens Maia. Eu dei ideia de alguns detalhes, a capa é dele. Toda vez que alguém fez um trabalho de capa pra mim, eu participei logicamente, com umas ideias. O trabalho dele é um trabalho bacana, eu respeito como fotografo, uma capa legal, uma capa para sempre. E tem as fotos aqui, várias, tem do presídio, tem a Suzana de Moraes, uma quantidade de pessoas aqui, o Wally Salomão.

No CD é impossível ver. Eu adorava esses LPs, dava pra você trabalhar, as ideias ficavam bem mais amplas. Esses CDs agora são muito pequenos, mas esse aqui é genial, você vê que tem inúmeras fotos aqui, é um registro bacana: meu barbeiro aqui, minhas irmãs aqui ainda muito pequenas, alguns amigos que já se foram, não estão mais na terra”.

Contra-capa de Pérola Negra, de Rubens Maia.

Outras colaborações entre Luiz Melodia e Rubens Maia

Maravilhas contemporâneas (1976).
Capa de Antonio Henrique Nitzsche.
Letreiro de Murilo Moutinho.
Fotos de Rubens Maia e Antonio Henrique Nitzsche.
Mico de circo (1978).
Capa e fotos de Rubens Maia.
Direção de arte de Vera Roesler.
Nós (1980).
Capa e fotos de Rubens Maia.
Coordenação de capa de Leonardo Netto.
Foto maravilhosa de Rubens Maia no encarte de Nós.
Felino (1983).
Fotos de capa de Mauricio Cirne e Rubens Maia.
Arte e criação de Leila Barbosa e Rubens Maia.
A reprodução tá tosca, mas precisei colocar essa foto do encarte de Felino!

Luiz Melodia: Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1951 – Rio de Janeiro, 4 de agosto de 2017

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